quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O crucifixo no centro do altar


O Compêndio do Catecismo da Igreja Católica no nº 218, faz a seguinte pergunta: "O que é a liturgia?" E responde:
A liturgia é a celebração do Mistério de Cristo e em particular do Mistério pascal. Nela, através do exercício do ofício sacerdotal de Jesus Cristo, com sinais se manifesta e se realiza a santificação do homem e é exercido pelo Corpo Místico de Cristo, que a cabeça e os membros, o culto público devido a Deus.
A partir desta definição, entendemos que o centro da ação litúrgica da Igreja é Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, e seu mistério pascal da Paixão, Morte e Ressurreição. A celebração litúrgica deve ser a transparência dessa verdade teológica. Por muitos séculos, o símbolo escolhido pela Igreja para a orientação do coração e do corpo durante a liturgia é uma representação de Jesus crucificado.
A centralidade do crucifixo na celebração do culto divino é mais proeminente no passado, quando existia a tradição de que o padre e os fiéis durante a celebração eucarística estavam voltados para o crucifixo no centro, acima do altar, que era geralmente contra a parede. Para o costume de celebrar o atual "versus populum", muitas vezes, a cruz está localizada ao lado do altar, perdendo a sua localização central.
O então teólogo e cardeal Joseph Ratzinger, tinha reiterado que, mesmo durante a celebração "versus populum", o crucifixo devia se mantido na sua posição central, mas é impossível pensar que a imagem do Senhor crucificado - que exprime o seu sacrifício e então o significado mais importante da Eucaristia - pudessem ser de alguma maneira perturbadora. Depois de se tornar Papa, Bento XVI, em seu prefácio ao primeiro volume de sua "Gesammelte Schriften", disse que estava feliz pelo fato que se estava fazendo sempre mais vezes a sua proposta em seu famoso ensaio "Introdução ao Espírito da Liturgia". Esta proposta foi a sugestão de "não avançar com novas transformações, mas simplesmente pôr a cruz no centro do altar, para que esta possa assistir ao mesmo tempo sacerdote e fiéis, para serem orientados, assim, para o Senhor, a Quem nós oramos juntos."
O crucifixo no centro do altar nos mostra o esplendor do significado da sagrada liturgica, que podem ser resumidas no nº 618 do Catecismo da Igreja Católica, uma parte que termina com uma citação agradável de Santa Rosa de Lima:
A cruz é o único sacrifício de Cristo, "único mediador entre Deus e os homens" (1Tm 2,5). Mas, pelo fato de que, na sua Pessoa Divina encarnada, "de certo modo uniu a si mesmo todo homem" (Concílio Ecumênico Vaticano II, Gaudium et Spes, 22), "oferece a todos os homens, de uma forma que Deus conhece, a possibilidade de serem associados ao Ministério Pascal. (ibid.). Chama a seus discípulos a "tomar a cruz e a segui-lo" (Mt 16, 24), pois "sofreu por nós, deixou-nos um exemplo, a fim de que sigamos os seus passos" (1Pd 2, 21). Quer associar a seu sacrifício redentor aqueles mesmos que são os primeiros beneficiários dele. (cf. Mc 10,39 João 21,18-19; Col 1:24). Isto realiza-se de maneira suprema em sua Mãe, associada mais intimamente do que qualquer outro ao mistério do seu sofrimento redentor. (cf. Lc 2,35).

"Fora da Cruz, não existe outra escada por onde subir ao céu". (Santa Rosa de Lima, cf. P. Hansen, Vita mirabilis, Louvain 1668).

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Os franciscanos na Liturgia


Um dos costumes na Missa franciscana é o uso do amito sobre a cabeça, no lugar do barrete e celebrar a Missa de pés descalços ou de sandálias, mas nunca com sapatos. Tal costume surgiu somente no século XX, durante a segunda guerra mundial, em que os frades “disfarçaram-se” de Padres Seculares para não serem mortos. Na Europa em geral - e depois em todo o mundo - desde a Regra feita por São Francisco, “os frades podem usar calçados, de acordo com os lugares e regiões frias”, ou seja, apenas por questões de preservar a própria saúde física; mas em nenhum lugar ao longo da história houve o costume do uso de sapatos para as celebrações.
Outro costume, mas apenas da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos é a insersão, no Confiteor, do nome de São Francisco, após os demais santos. Tal provisão foi dada pelo Papa somente aos Capuchinhos, não aos frades da OFM nem aos Conventuais.
Ainda na OFMCap, usa-se, em sua particularidade litúrgica do rito romano, o incenso em algumas Missas de certas solenidades, mesmo que não seja uma Missa Solene nem uma Missa Cantada (lembrando que, na forma clássica do rito romano, o incenso só era usado nelas, nunca da Missa meramente rezada ou Missa baixa).
A Liturgia das Horas, entre os Capuchinhos, mas não entre os Menores nem entre os Conventuais, não era cantada com pautas gregorianas, mas em reto tom. Também comemoram, após as Completas, todos os dias, a Imaculada Conceição, São Francisco e Santo Antônio.
Todavia, essas particularidades litúrgicas franciscanas foram postas de lado quando todos os ramos da Ordem aderiram à reforma litúrgica de Paulo VI. O rito romano, que já era adotado, como vimos, ao ser reformado, continuou a ser observado. Mas se o rito romano anterior à reforma, entre os franciscanos, tinha certa adaptação, autorizada por Roma, o novo rito romano, de Paulo VI, pós-conciliar, não conservou essas particularidades.
Assim, o rito romano tradicional sofria certas derrogações na família franciscana, porém, com a reforma posterior ao Concílio Vaticano II, esse rito romano moderno passou a não mais contemplar tais variações.
Contudo, com o Motu Proprio Summorum Pontificum, de Bento XVI, dando liberação universal para os padres celebrarem o rito romano na forma tradicional – chamada pelo Papa de “forma extraordinária”, em contraponto à “forma ordinária” que é o rito romano moderno, pós-conciliar, levanta-se a questão da OFMConv, da OFM e da OFMCap. usarem suas particularidades quando celebram o rito antigo. Desse modo, um padre franciscano poderia utilizar a forma ordinária, a que está acostumado, vigente entre todos os padres latinos, contudo, se quiser utilizar a forma extraordinária, a “Missa tridentina”, cuidará de observar suas particularidades. Por exemplo, um padre capuchinho, celebrando a forma ordinária, seguirá o rito normal do Missal Romano, mas celebrando a forma extraordinária, seguirá o rito do Missal Romano-Seráfico, com a inserção do nome de São Francisco no Confiteor.
Outra questão que se poderia levantar, e isso mesmo antes do Summorum Pontificum, é a observância de certos costumes que não estavam nas rubricas e eram autorizados por Roma porque não feriam a unidade substancial do rito romano, como o celebrar descalços e o uso do amito na cabeça no lugar do barrete. Como o uso do barrete é facultativo no rito moderno, nada impede que se use um amito maior e cobrindo a cabeça, aliás, como era na Idade Média, dado que tal paramento era bem maior do que o que encontramos hoje. O celebrar descalços não pede autorização alguma, pois rubrica alguma determina o uso de tal ou qual sapato, além dessa ser uma tradição centenária da Ordem, que foi restaurada por certos grupos de espiritualidade franciscana não ligados à Ordem – como os Filhos da Pobreza e do Santíssimo Sacramento (Toca de Assis), os Franciscanos da Imaculada, os Franciscanos da Renovação, dentre outros.

A Missa

A Missa como todos sabemos é a renovação do Calvário sobre os nossos altares.Dizemos que a Missa é o sacrifício da Nova Aliança em Cristo Jesus.Ora nas páginas da Sagrada Escritura se fala de como foi contraída ou renovada a Aliança, entre Deus e os homens(o seu povo), encontramos sempre três elementos: comunicação da palavra de Deus ao povo reunido para escutar, oração coletiva e a oblação dum sacrifício que vem como que selar esta Aliança.

O mesmo vemos no rito sagrado da Missa.Convocado pela Igreja para a celebração do Santo Sacrifício, o povo cristão reúne-se em assembléia para cumprir o ato essencial da sua vida: ouvir, não uma palavra humana, mas a palavra de Deus, a mensagem divina que, no decurso do ano litúrgico, numa catequese especial que constitui a ante-missa, a Igreja lhe vai recordando; receber em seu espírito esta mesma palavra, numa atmosfera de louvores e orações qual se exige para serem aceitas;finalmente, renovar, pelo Sacrifício Eucarístico a eterna aliança em que a Vítima divina, imolada à glória do Pai, se dá em alimento ao povo dos redimidos.

É fácil descobrir o plano geral da Missa.

A celebração propriamente dita do sacrifício é precedida duma primeira parte, a "ante-missa", constituída por leituras, cantos, orações.Recorda-nos a liturgia da sinagoga, na Antiga Lei.Na segunda parte, temos o "sacrifício" proriamente dito, com o ofertório, a grande prece consecratória, que forma o Cânon e a comunhão.É a celebração da Eucaristia, o sacrifício novo da Nova Aliança.

P1. Que é a Santa Missa?


R. A Santa Missa é a renovação incruenta do Sacrifício do Calvário. É o mesmo e único sacrifício infinito de Cristo na Cruz, que foi solenemente instituído na Última Ceia. Nesta cerimônia ímpar, Cristo é ao mesmo tempo vítima e sacerdote, se oferecendo a Deus para pagamento dos pecados, e aplicando a cada fiel seus méritos infinitos.

P2. Por que dizemos que a Missa é a renovação incruenta do Sacrifício do Calvário?

R. Porque na Missa Nosso Senhor Jesus Cristo se imola novamente para nossa salvação, como Ele fizera no Calvário, embora na Missa seja sem sofrimento físico.

P3. Por que a Missa é chamada de "Santa"?

R. Porque nela é o próprio autor da santidade que se oferece como vítima, num sacrifício perfeito a Deus, e como alimento espiritual aos fiéis na Eucaristia, ou seja, a transubstanciação real do pão e do vinho no corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo

P4. Em que momento da Missa se realiza a transubstanciação das espécies de pão e vinho no corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo?

R. A transubstanciação se realiza no momento da consagração, quando o celebrante repete as palavras que Nosso Senhor pronunciou na última Ceia, ao consagrar o pão e o vinho, instituindo, assim, o sacramento da Eucaristia.

P5. Qual é a cerimônia religiosa e solene mais comum entre os católicos?


R. É a santa Missa.

P6. Por que a santa Missa é a cerimônia mais comum entre os católicos?

R. Porque, além de ser celebrada nos domingos e dias santos, quando há obrigação rigorosa de assisti-la, ela é celebrada diariamente e fortalece a piedade do cristão zeloso, em especial quando ele tem a graça de comungar.


P7. Além dos domingos e dias santos, podemos assistir a Missa em outras ocasiões?

R. Sim, e é proveitoso à alma também assisti-la em certas ocasiões especiais tais como:
a - nos aniversários de graças importantes recebidas;
b - nos dias da quaresma;
c - na quinzena pascal.

P8. Podemos assistir Missa diariamente?

R. Sim. Sempre que o fiel tiver a possibilidade e principalmente aqueles que receberam mais bênçãos dos céus e favores terrenos devem entender que seria até uma ingratidão não participar do oferecimento diário da grande vítima de ação de graças.

P9. Por que é conveniente e salutar assistir a Missa sempre que possível?

R. Porque todo o cristão, desejoso de ordenar sábia e piedosamente sua conduta, encontra na Missa o meio de consagrar pela oblação do corpo e do sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo os trabalhos e fadigas de cada dia, sem esquecer as obrigações do próprio estado. Além disto, a assistência freqüente implica em maior aproveitamento dos méritos de Cristo.

P10. Além da piedade e do fervor, que outros motivos nos levam a assistir a Missa?

R. Além da piedade e do fervor os cristãos se reúnem com prazer ao redor do altar do sacrifício por muitos motivos, como:

a - no início de cada ano, para agradecer e renovar os votos desta época;
b - em certas festas religiosas, para estreitar os laços de família e a piedade filial;
c - no dia dos mortos, para resgatar os pecados do passado com as esperanças de melhor porvir;
d - para conseguir êxito em determinado empreendimento;
e - para a saúde de uma pessoa;
f - para que se difunde a graça de Deus na união dos esposos;
g - para oferecer ao Senhor uma criança que acaba de nascer e a mãe que deu a luz;
h - para acompanhar diante dos altares os despojos mortais de nossos irmãos, antes de sepultá-los.

P11. A Missa, então, é motivo para tudo?

R. Sim. Resumindo, podemos dizer que a Missa é a consagração e santificação de todos os momentos graves, solenes e importantes da nossa vida.

LEITURAS DO DIA